Ser esperantista não é só conhecer o Esperanto e propagá-lo; mais do que isso, é necessário compenetrar-se do espírito de amor para com os homens, desse espírito que guiou Zamenhof na sua obra admirável e colossal de construir uma língua. As línguas têm uma alma que é preciso estudar e compreender.
Não foi só o intuito de unir por meio de um veículo de comunicação, os povos tão separados entre si, que deu origem ao Esperanto. Zamenhof teve aspirações mais elevadas ainda.
A ele, que iniciava apenas a vida escolar mas que já se sentia embebido dos mais nobres desejos, chocou-lhe ver que os homens se degladiavam em continuas lutas por não se compreenderem mutuamente, Em Bielostok, a cidade em que morava, quatro raças distintas, russos, polacos, judeus e alemães, em per manente conflicto, mostravam-lhe que as noções de fraternidade não haviam penetrado até ali.
O seu espírito perspicaz sentia que essa gente, de sentimentos contrapostos, não se poderia entender enquanto não tivesse o mesmo ideal e um meio fácil de se comunicar. Foi então que se pôs a trabalhar na formação da nova língua, com todo o ardor, vendo nela uma das colunas do grande monumento à Fraternidade dos povos.
Revista O Reformador, maio 1915