Espiritismo e esperanto, eis aí duas coisas divinas e que, reunidas, constituem o mais formoso ideal, cuja realização deve ser aspirada por todos os philosophos e pensadores da atualidade.
O esperanto, idioma ao alcance de todos, língua simples, flexível, sonora e verdadeiramente internacional em seus elementos constitutivos, como elemento propício à fraternidade dos povos, tem encontrado os mais ardentes propagadores, os apóstolos mais fervorosos.
O Espiritismo por seu turno, encaminhando-nos para os nossos destinos imortais, demonstrando a todos os homens a razão por que se nasce, por que se vive, por que se morre, e como nos convém proceder durante a nossa peregrinação terrena, patenteia-nos também a exclusão de quaisquer privilégios concedidos a humanos seres, e assim nos evidencia que a fraternidade universal, em vez de ser uma utopia, longe de depender da boa vontade de uns tantos espíritos privilegiadamente bondosos, é, ao contrário, uma lei da natureza, que tem de se cumprir, chegada que seja a hora designada pela Suprema Inteligência que tudo rege e sob cujas vistas tudo se move, tudo se liga, tudo se produz no imenso universo.
Não há, pois, doutrina alguma, filosofia, ciência ou religião, que tanto alvoroce as nossas almas, que tanto toque os nossos corações, que tanto nos patenteia que todos somos irmãos seja qual for a nossa ascendência, a nossa cor, a nossa raça ou posição social, como a que codificou Allan Kardec, há pouco mais de meio século.
O esperanto vem revolucionando o mundo, vem atraindo as almas. bondosas, as inteligências lúcidas, os campeões do progresso, os espíritos altruísticos, todos que aspiram a paz, o amor, todos que desejam trabalhar para o bem da humanidade e para o seu próprio bem.
Mas a sua utilidade primordial, o seu maior sucesso, o sucesso culminante do esperanto, não está senão na divulgação do Espiritismo ou neo-espiritualismo, que, pelo livro, pelo folheto e pelo jornal ele espalhará por toda a face da terra, desdobrando as suas consequências grandiosas, tocando os corações, melhorando os sentimentos, reformando as consciências, irmanando os povos e conduzindo os ao seio infinito de Deus.
Reformador, dezembro 1912