“Chico, em determinada ocasião, passou a sair de casa todos os dias à hora do almoço. Somente limitava-se a dizer-me que visitaria um enfermo necessitado de atenção.
Antes de sair, Chico apenas pedia:
— Benedito, faça o favor de preparar um franguinho bem macio, que preciso levar a um doente. Lembre-se que deverá ficar bem tenro, pois ele está muito fraco. Precisa fortalecer-se, pouco a pouco, dia a dia!
Assim, diariamente, saía Chico levando uma vasilha com o alimento, cuidadosamente preparado por mim. No íntimo, guardava eu grande curiosidade acerca da identidade daquele doente. Mas Chico nada me dizia.
Após algum tempo, resolvi segui-lo pelas ruas de Uberaba, com o objetivo de conhecer o misterioso enfermo, que lhe merecia tanta atenção e cuidado.
Atravessamos o bairro. Chico, à frente, internou-se num matagal. Fui atrás dele, seguindo-lhe os passos, sem que me visse. Para minha surpresa, deparei-me com a cena comovedora: bem no fundo da mata, lá estava Chico atendendo ao enfermo em questão. Que nada mais era que um cãozinho machucado e faminto!”